
Tudo verde, caixa vazio.
Uma empresa me mostrou o dashboard deles com um orgulho legítimo.
Quarenta e poucos indicadores. Atualização automática. Tudo bonito.
Estava tudo verde.
O faturamento tinha caído dois trimestres seguidos.
O caso
Empresa de serviços, quarenta pessoas, oito anos de operação.
Tinham investido em BI no ano anterior. Ferramenta boa, consultoria paga, painel bem feito.
A diretoria olhava aquilo toda segunda-feira, religiosamente.
E ninguém conseguiu me citar uma decisão que tivesse mudado por causa dele.
O que a gente fez
Pedi uma coisa só: a lista das decisões relevantes dos últimos doze meses.
Contratação, corte, mudança de preço, cliente que entrou, cliente que saiu, projeto aprovado.
Deu pouco mais de vinte decisões.
Depois peguei o painel e tentei ligar cada indicador a pelo menos uma delas.
Três números tinham influenciado alguma coisa. O resto era paisagem.
O resultado
O painel não estava errado. Estava respondendo perguntas que ninguém tinha feito.
Media volume de atendimento, tempo médio de resposta, propostas enviadas, horas apontadas.
Tudo verdadeiro. Tudo verde. Tudo inútil para decidir.
Não tinha margem por cliente. Não tinha receita retida. Não tinha custo de servir.
O diagnóstico
Parecia problema de dado. Era problema de pergunta.
Eles compraram capacidade de medir sem definir o que precisava ser decidido.
E quando você mede sem decidir, não ganha clareza. Ganha conforto.
Métrica de atividade tem uma propriedade perversa: ela quase sempre sobe.
Basta trabalhar mais. Mais proposta enviada, mais reunião feita, mais hora apontada.
Ela premia esforço — e esforço é a coisa mais fácil de produzir numa empresa assustada.
Métrica de resultado não tem essa gentileza. Ela só sobe se o sistema funcionar.
Por isso quase ninguém coloca ela na parede.

