
Metade dos seus acertos foi sorte.
No começo de um ano eu recusei um projeto grande.
Cliente conhecido, contrato longo, valor que fazia diferença real no caixa.
Recusei porque a agenda estava cheia e eu estava cansado.
Seis meses depois esse mesmo cliente rompeu um contrato parecido com outro fornecedor e deixou uma dívida para trás.
O que eu contei para todo mundo
Que eu tinha lido o risco. Que tinha percebido sinais na conversa.
Que a experiência tinha falado mais alto.
Era mentira. Confortável, contada com convicção, mas mentira.
Eu recusei porque estava cansado. O resultado bom apareceu depois, sozinho, sem me consultar.
Por que isso importa
Se eu tivesse arquivado aquilo como acerto, eu teria aprendido a lição errada.
A lição errada seria: confie no seu instinto quando estiver exausto.
A lição certa era outra, e bem menos lisonjeira.
Eu não tinha nenhum critério de aceite de cliente. Nenhum.
A ausência de critério é que era o problema. O resultado bom escondeu ele por seis meses.
O diagnóstico
Parecia acerto. Era sorte.
A gente tem um vício de julgar decisão pelo resultado.
Deu certo, foi boa. Deu errado, foi ruim. Rápido, intuitivo e quase sempre falso.
Esse erro tem nome em teoria da decisão: viés de resultado.
A Annie Duke popularizou a versão prática dele em Thinking in Bets, com o apelido de “resulting”.
A ideia é velha e desconfortável: no curto prazo, resultado é decisão misturada com acaso.
Você controla uma das duas. A outra faz o que quiser.

